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Avisos |
BOLETIM SEMANAL Nº 85 - BRASÍLIA-DF,
26 DE AGOSTO DE 2007
PASTORAL
VOCÊ É UM CRENTE MEIA BOCA?
A expressão “meia-boca” já é muito popular e
significa que algo não é o que deveria ser. Ou seja,
meia-boca é aquela coisa mais ou menos, que não chega
exatamente onde precisava chegar – fica pelo caminho, do
jeito que der já está bom. Meia-boca também pode ser
aquilo que é conveniente, que se deixa estar para ver no
que vai dar.
Tem muita gente meia-boca por
aí. É aquele empregado que não cumpre todas as tarefas
de sua jornada de trabalho. Ou o estudante que não se
empenha por melhorar suas notas e decora apenas o
necessário para ficar na média. Amigo meia-boca é aquele
para quem amizade não é nada além de um convívio
eventual, geralmente em situações de festa e alegria. Na
hora do “vamos ver”, ele pula fora, pois não é otário de
ficar resolvendo problemas dos outros.
Pior é o crente meia-boca.
Você já deve ter visto um – ou vários. Crente meia-boca
é aquele para quem a fé é uma questão de conforto e
conveniência. Crente meia-boca é aquele que faz rolo nos
negócios, dá jeitinho, molha a mão do guarda. Para ele,
cristianismo resume-se a mero hábito dominical. Ele vai
na igreja, canta os hinos, ouve as mensagens, até ora,
mas saindo dali nada muda em sua vida.
Se as coisas não dão certo, é
só tentar fazer Deus dar um jeitinho na situação. Ser
crente meia-boca não custa mais do que a pessoa tem,
pois é só dar a oferta, seja em dinheiro, seja em
penitência ou jejuns, que a vontade de Deus será
dobrada. Mas ele mesmo nunca é dobrado pelo Senhor.
Enfim, ser crente meia-boca é viver uma
existência desinteressante, onde não existe motivação,
iniciativa ou desejo de mudança.
Mas ser crente por inteiro
custa tudo o que você é ou tem. Envolve a total entrega
da vida a Deus, total abnegação. “Se alguém quer vir
após mim, negue-se a si mesmo”, disse Jesus (Lc
9:23). O texto começa com uma condicional: “se” ;
logo, é opção. Depois, vem a entrega, negar-se a si
mesmo, ou seja, devolver a Deus o que é dEle: a própria
vida.
Tomar a cruz e seguir a Jesus
significa seguir o mesmo caminho em que Ele trilhou –
entregando a Sua vida no Calvário. Ele crucificou o seu
EU. “Cada dia” indica que o negar-se e o seguir a Jesus
é um estilo de vida. Mas tudo não se encerrou com a
morte de Cristo; aliás, nosso cristianismo contemporâneo
é pobre porque pregamos um Cristo crucificado e
esquecemos de Sua ressurreição, pela qual Ele foi
declarado Filho de Deus (Rom 1:4). O caminho da cruz não
parou no Calvário; não terminou no sepulcro, mas
prosseguiu até que Ele ressurgisse dentre os mortos. Ser
crente integral é isso mesmo, ter uma vida crucificada
para os desejos pessoais e ressuscitada num novo projeto
de vida dentro dos princípios éticos divinos. É como
voltar ao Éden, ser novamente dependente de Deus para
suas decisões e escolhas diárias. É ter consciência de
que a vida é mais do que fazer com que as coisas andem
de nosso jeito – é ter esperança mesmo diante do
sofrimento. É ser sábio no exercício da liberdade que
Deus nos devolve, vivendo uma vida digna e que
glorifique o Senhor.
Lourenço Stelio Rega (teóligo, educador e
escritor).
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