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BOLETIM SEMANAL Nº 76 - BRASÍLIA-DF,
24 DE JUNHO DE 2007
PASTORAL
CAÇADORES DE PULGAS
Depois de poupar a vida
de Saul, rei de Israel e seu sogro, demonstrando não ser
seu inimigo, Davi lhe perguntou:
- Contra quem saiu o rei
de Israel? A quem está perseguindo?
Para espanto e vergonha
de Saul, Davi mesmo respondeu:
- (O rei está
perseguindo) a um cão morto! A uma pulga! (1 Sm 24:14).
Além de inglória, a
guerra de Saul contra Davi era ridícula e muito mais
desproporcional do que a luta travada por um jovem
roceiro que nunca havia vestido uma armadura militar
contra o arrogante filisteu que media dois metros de
altura (segundo a Septuaginta). Pois, mesmo considerando
os seiscentos homens que se agregaram a Davi, o exército
de Saul era cinco vezes maior (três mil dos melhores
soldados de Israel). Na verdade, o rei estava caçando
pulga no deserto de En-Gedi. Quanto tempo, quanto
esforço, quanto dinheiro perdido para pegar um
insetozinho de pernas compridas e que gosta de pular!
O problema mais grave é
que a loucura de Saul é a nossa loucura. Com muita
facilidade e com muita freqüência transformamos uma
simples pulga em leão bravio, uma minhoca em cascavel,
uma sardinha em monstro marinho. Aumentamos o número e a
altura dos gigantes da Terra Prometida e não damos
atenção ao tamanho do cacho de uvas que dela trouxemos (Nm
13:23, 31-33). Choramos a noite inteira e a madrugada
inteira por causa da pedra “muito grande” que estava
sobre o túmulo de Jesus e não levamos a sério a
ressurreição do Senhor (Mc 16:1-7).
Somos ótimos caçadores de
pulgas e péssimos crentes. Temos inveja e ciúmes
daqueles que estão sendo abençoados e agraciados por
Deus. Não sabemos nos alegrar com o sucesso alheio. Não
confessamos essa dificuldade nem buscamos cura para ela.
Optamos pela loucura e pelo ridículo. Tornamo-nos
infelizes caçadores de pulgas e nos desgraçamos
progressivamente até — quem sabe — nos jogarmos sobre a
própria espada, como aconteceu com o rei de Israel (1º
Sm 31:4)!
Élben César – Revista
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