|
BOLETIM SEMANAL Nº 93 - BRASÍLIA-DF,
21 DE OUTUBRO DE 2007
PASTORAL
O CAÇADOR DO CÉU
A conversão
de Paulo é a mais celebrada em toda a história cristã.
Algumas pessoas, no entanto, se sentem perturbadas com
ela. Dizem: “Eu não tive uma experiência repentina na
Estrada de Damasco!”
A conversão
de Paulo não foi repentina. É verdade que, de repente,
uma luz brilhou no céu, ele caiu no chão e Jesus falou
com ele. Mas essa intervenção não foi a primeira na vida
de Paulo.
Em Atos
26:14, “Saulo, Saulo, por que me persegues? Resistir
aos
aguilhões só lhe trará dor!”
Em Atos 9:15
e 16, “Vai, porque este é para Mim um instrumento
escolhido para levar o Meu Nome perante os gentios, reis
e filhos de Israel; pois Eu lhe mostrarei quanto lhe
importa sofrer pelo Meu Nome.”
Portanto,
Jesus, o “Caçador do Céu”, já vinha perseguindo Saulo,
cutucando-o e espetando-o em sua consciência, mente e
espírito.
Paulo
tinha sido discípulo
de Gamaliel, considerado, na época, o mestre da lei
judaica. Foi criado como judeu no zelo pela Lei e no
temor de Deus. Mas não O conhecia, como confessou após a
sua conversão. Sua mente estava cheia de dúvidas acerca
dos rumores sobre Jesus; da beleza e autoridade do Seu
ensino; da humildade e mansidão do Seu caráter; dos Seus
feitos poderosos de cura e dos rumores de que Sua morte
não tinha sido o fim, pois diversas pessoas diziam
havê-Lo visto, tocado e com Ele conversado após a Sua
morte.
Saulo
estava presente no Sinédrio no julgamento de Estevão.
Não era rumor ou boato pois vira com seus próprios olhos
a face de Estevão brilhando como a face de um anjo.
Estevão orava enquanto o apedrejavam até a morte
e os seus algozes
colocaram as vestes aos pés de Saulo.
“Há
algo implacável a respeito desses cristãos.” - deve ter
pensado Saulo -
“Eles
se recusam a retaliar os seus algozes e
inimigos; ao contrário, oram por eles.”
A mente, a consciência e o
espírito de Saulo estavam em desordem provocada pelos
aguilhões do “Caçador do Céu”. Todo o fanatismo com o
qual Saulo estava perseguindo Cristo, ao perseguir a
Igreja, traía a sua inquietação interior. Assim, o
episódio da Estrada de Damasco foi o clímax inesperado
de um processo gradual. Saulo, finalmente, entregou-se
Àquele contra quem lutava e fugia havia muito tempo.
Mas Paulo é o exemplo da
experiência espiritual de um homem do primeiro século.
Portanto, é hora de seguirmos adiante para o nosso
próprio tempo e observar que, quando estivermos no fundo
do vale, escravizados por nossas paixões e com a nossa
consciência cheia de dúvidas e incertezas,
experimentando o aparente “silêncio de Deus”, podemos já
estar adentrando a Estrada de Damasco, onde o “Caçador
do Céu” nos espreita, ávido, em busca de pessoas como
nós.
J. R. W. Stott –
adaptado por
Éden Asvoslinsque
|