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AVISOS
DO BOLETIM |
BOLETIM SEMANAL Nº 23 - BRASÍLIA-DF, 08 DE JUNHO DE 2008
PASTORAL
PEDRO, a “pedra” DE JESUS
Simão Pedro é considerado, por muitos, como uma das
figuras mais interessantes da Bíblia. A sua
personalidade forte, sua energia e capacidade de
trabalho, sua franqueza, suas tiradas repentinas, seus
ímpetos de coragem e de covardia, seus lampejos de
percepção e seus momentos de “burrice”, sua
simplicidade e generosidade e, sobretudo, sua dedicação
e seu desvelo paternal para com Jesus, durante a jornada
de três anos com o Mestre, tiram dele aquele halo de
“santidade”, de perfeição com que se costuma coroar os
“santos” e tornam-no tão “humano” como qualquer um de
nós. Podemos identificar-nos com Pedro, em muitas das
suas emoções e atitudes.
Junto com seu irmão André, Pedro foi o primeiro a ser
chamado por Jesus, para ser seu discípulo. E,
imediatamente, revela-nos os Evangelhos, ele deixou a
tudo e seguiu Jesus.
Pedro hospedava Jesus em sua casa. Depois da batalha
diária, Jesus ia diretamente para lá. Nos textos
bíblicos podemos sentir o calor com que aquela família
recebia Jesus. Podemos perceber que Jesus se sentia em
casa, na casa de Pedro. Que imagem esta: Jesus ali à
mesa, ao entardecer, depois de um dia trabalhando para o
Pai, rodeado por seus discípulos, por seus amigos,
servido pela esposa, filhos, e sogra de Pedro, comendo
aquela comidinha gostosa, feita na hora, rindo,
conversando, falando aquelas palavras inefáveis que
faziam com que todos parassem para ouví-lo,
embevecidos...
Jesus se sentia em casa, na casa de Pedro... Ah!... Que
visão maravilhosa que nos aquece o coração!...
Certamente Jesus, homem como nós, sentia a mesma
necessidade que nós sentimos, de um lar, de um braço
amigo, de um companheiro fiel. E Pedro era, mais que
todos, penso eu, mais que João, o discípulo amado, esta
“pedra”, esta “rocha”.
Por falar em companheiro fiel, lembram-se daquela noite
sombria, vento gelado, em que Pedro se aquecia no
braseiro do pátio do sumo sacerdote? Pedro, que afirmara
veementemente dar a própria vida por Jesus, observava os
abusos contra seu Mestre, as falsas testemunhas, as
cuspidas no rosto amado, os murros e as bofetadas que
Lhe davam? E, de repente, a criada do sumo sacerdote
exclama: “Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!”
Vocês podem ouvir as palavras juradas, praguejadas,
gritadas... por Pedro? “Não! Não conheço este homem!”
Podem ouvir o galo cantando? Podem sentir o olhar de
Jesus, cheio de piedade? Podem escutar o choro desatado,
amargurado daquele “homão”, o seu sofrimento, a sua
vergonha, a sua traição? O seu arrependimento? Ah!...
Que visão torturante que nos congela o coração!...
Sim... podemos identificar-nos com Pedro, em muitas das
suas emoções e atitudes.
Mas, Jesus é JESUS! Por três vezes Ele, ressuscitado
dentre os mortos, pergunta: “Simão Pedro, filho de João,
tu me amas?” E às respostas afirmativas, soluçadas,
daquele que foi martirizado e que deu a própria vida,
anos depois, por amor do seu Mestre, Jesus lhe passa a
tarefa suprema: “Apascenta as minhas ovelhas.” E Pedro a
cumpriu à risca.
Do apóstolo Pedro nos chegaram duas cartas. Tão belas,
tão profundas e tão úteis para nós, os cristãos, que
deveriam ser decoradas, guardadas no coração. Que
transformação! O sangue derramado por seu Mestre na
cruz, foi o sangue que o salvou. O Espírito Santo
outorgado em Pentecostes, foi o Espírito do que o
transformou em servo e apóstolo.
Ele nos escreve: “Simão Pedro, servo e apóstolo de
Jesus Cristo, aos que conosco obtiveram fé igualmente
preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus
Cristo.” 2 Pe 1.
“Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados,
bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o
Espírito da glória e de Deus.” 1 Pe 4:14.
Sim... podemos e devemos identificar-nos com Pedro, em
muitas das suas emoções e atitudes.
Celina de O. Martin |