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AVISOS
DO BOLETIM |
BOLETIM SEMANAL Nº 20 - BRASÍLIA-DF, 18 DE MAIO DE 2008
PASTORAL
Clamor
das Pedras
Quem
nunca vibrou por uma partida de futebol? Seleção
brasileira pentacampeã, orgulho nacional! O estereótipo
brasileiro: carnaval e futebol. Pouca roupa e muita
ginga fazem do Brasil o país da alegria. As torcidas
vivazes inflamam os homens sedentos pela vitória a
gritar, pular, chorar, bater, tudo para ver o seu time
vencer.
Apostas rolam soltas, a alegria, muitas vezes, é
condicionada à conquista do time, na qual, aliás, o
torcedor não tem uma participação efetiva, apenas
comprar seu ingresso e gritar. Mas o resultado de um
jogo pode mudar o humor na próxima hora, dia, semana...
Quando o time ganha, o torcedor solta o alarido: "ganhaaaamos!".
Mas, diante da derrota, esbraveja: "Este time é
péssimo!".
O
pular e o chorar são expressões de emoção, ou seja, "uma
reação intensa e breve do organismo a um lance
inesperado, a qual se acompanha dum estado afetivo de
conotação penosa ou agradável" (Dic. Aurélio).
Mas, se a emoção é uma característica tão
presente em nossa cultura, por que muitos cristãos não
conseguem extravasar seus sentimentos diante de Deus?
Até pouco tempo alguns líderes proibiam o simples bater
de palmas, ou alegavam que bateria e guitarra era coisa
do demo.
Ter reverência a Deus não significa deixar
de expressar seus sentimentos a Ele. Apresentar um
culto racional ao Senhor (Rm 12.1) não é sinônimo de
frieza espiritual ou incredulidade em relação ao mover
de Deus. Culto racional implica adoração
voluntária do homem ao Senhor. Adorar é rasgar
nosso coração diante das maravilhas que Deus fez e,
principalmente, por aquilo que Ele é.
Diante do exposto, por que precisamos ser
tão tradicionais na nossa forma de cultuar a
Deus? O que é mais importante, a forma ou a sinceridade
do coração? Se por um lado é verdade que a manifestação
do nosso coração deve seguir algumas formas para não
virar algazarra, por outro, deve-se ter o cuidado para
não se tornar um ritual frio.
Quando recuperou a Arca da Aliança, o
objeto mais sagrado da religião de Israel, Davi dançou
na presença de Deus (2 Sm 6.16). Mical, sua esposa, o
repreendeu por este comportamento: "Que bela figura
fez o rei de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das
servas de seus servos, como, sem pejo, se descobre um
vadio qualquer!" (2 Sm 6.20 – grifo do autor).
Este desprezo redundou na própria repreensão de Deus a
Mical, pois não teve filhos (v. 23), a maior
humilhação pela qual uma israelita podia passar.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
resultou em jubilosa manifestação do povo em adoração ao
Filho de Deus. "Ora, alguns dos fariseus lhe disseram
em meio à multidão: Mestre, repreende os teus
discípulos" (Lc 19.39). Mas o nosso Salvador
respondeu: "Asseguro-vos que, se eles se calarem,
as próprias pedras clamarão" (v. 40 – grifo do
autor).
Diante das maravilhas de Deus, não temos que
conter nossa genuína emoção, precisamos extravasar,
deixar as lágrimas caírem e a voz falar aquilo que vem
do coração.
Quando
Pedro, usado pelo Espírito Santo, curou o coxo de
nascença este "entrou no templo, saltando e louvando
a Deus" (At 3.8). Não tinha como ser diferente.
Quando há manifestação do poder de Deus há o
reconhecimento entusiasmado, até mesmo eufórico, do Seu
povo.
Uma igreja com pouca emotividade é resultado
da falta da unção do Senhor. O poder de Deus gera
emoção, mas a emoção, por ela mesma, não gera o poder de
Deus. Assim, muitos líderes não têm o discernimento
entre uma coisa e outra, preferem simplesmente
repreender a emoção do povo, como no exemplo de Ana,
quando derrama sua alma ao Senhor suplicando-lhe um
filho, Eli, o sacerdote, exorta-a pensando que ela
estivesse embriagada. O resultado desta oração: Ana
teve um filho chamado Samuel, um grande homem de Deus.
Se as
pessoas podem gritar por uma bola, com muito mais razão
devem se derramar na presença do Todo-Poderoso!
Rev.
Hélder Rodrigues de Souza |