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AVISOS
DO BOLETIM |
BOLETIM SEMANAL Nº 12 - BRASÍLIA-DF, 23 DE MARÇO DE 2008
PASTORAL
Jesus,
a vítima que não se autovitimizou
Celebramos, hoje, a Páscoa. Esta festa nos
remete à morte tanto do cordeiro pascal dos judeus
quanto de Jesus, o Cordeiro de Deus. Ambos entram no
contexto da Páscoa como vítimas. Recebem a condenação
dos outros, são levados ao sacrifício e morrem sem
culpa, sem merecer o castigo. Em termos jurídicos, tanto
Jesus quanto os cordeiros imolados na Páscoa dos judeus,
eram inocentes e injustiçados. Mas há um traço marcante
no caráter e na personalidade de Jesus que precisa ser
analisado. Não obstante ser Ele mesmo vítima, não entrou
em processo de autovitimização. Isaias diz que “Ele
foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como
cordeiro foi levado para o matadouro; como ovelha muda
perante Seus tosquiadores, Ele não abriu a Sua boca.”
(Isaías 53:7). Ele poderia gritar Sua inocência,
fazer-se de vítima, como de fato o era, reivindicar Seus
direitos, etc., mas não o fez.
Nós,
seres humanos, muitas vezes achamos cômodo a condição de
vítima, pois achamos que ela nos dá o direito de sermos
“coitadinhos”, de sensibilizarmos outros e de
angariarmos pena e compaixão, de sermos defendidos e,
por fim, apontar perseguidores e conspiradores, muitas
vezes inexistentes. A autovitimização exacerba os danos
ocorridos, faz do irmão um déspota, provoca murmuração e
impede o perdão no coração de quem sofre deste mal. A
pessoa que se faz de vítima sempre se desvaloriza e é
incapaz de se conferir valor e de desenvolver autoestima.
E, infelizmente, quer chamar a atenção como agredida,
injustiçada, mesmo quando não o é.
Quem
nunca se colocou ou não achou cômodo estar nesta
posição? Porém, insistir nesta condição pode provocar
doenças emocionais e espirituais. No contexto de igrejas
pessoas que se autovitimizam para conquistar espaço e
amor se tornam muito desagradáveis. Elas não querem sair
da posição de miseráveis. Anos se passam e nada muda,
nem melhora. Porque, literalmente, se melhorar estraga.
Afinal, sem feridas, sem queixas, quem vai olhar para
elas e por elas?
Jesus
não agiu assim. Inocente, mesmo sendo vítima de
injustiça, de agressão, mesmo sofrendo humilhação
pública, dor física e espiritual inomináveis, Ele
recusou se autovitimizar e de se fazer de coitado. Pelo
contrário, pensou nos outros, cuidou de Sua mãe, perdoou
o ladrão penitente, orou ao Pai durante o Seu
sofrimento, mas não se rebelou contra o Pai. Não acusou
ninguém, não feriu ninguém, não maltratou ninguém, nem
achou que todos deveriam sofrer como Ele estava
sofrendo.
Aprendamos: Páscoa é tempo de fazer morrer a
autovitimização e de celebrar Aquele que foi vítima sem
se autovitimizar.
Rev. Luciano Roberto |