|
AVISOS
DO BOLETIM |
BOLETIM SEMANAL Nº 11 - BRASÍLIA-DF, 16 DE MARÇO DE 2008
PASTORAL
"Big Brother" divino
A opinião dos outros acerca de nós mesmos
mexe tanto conosco que muitos fazem loucuras para
agradar. Jovens entram no mundo das drogas para serem
aceitos. Homens "maduros" gastam fábulas, compram o que
não querem, o que não precisam, com o dinheiro que não
têm, por mero “status”, ou seja, para mostrar aos
outros que ele também pode, ou que pode mais...
A hipocrisia tem um significado sórdido: querer
ser o que não é. O fingimento só tem razão de ser sob a
ótica do outro. A falsa devoção não é para si e por si e
sim para os que estão à nossa volta, muitos dos quais
não conhecemos ou, quem sabe, não gostamos. E o que é
pior, se é preciso máscaras e engodos para sermos
aceitos, este não deve ser nosso grupo de convivência.
Temos que fugir da síndrome do "big brother", na
qual abdicamos da espontaneidade e evitamos mostrar quem
realmente somos na tentativa de satisfazer nossos
"espectadores". Nada melhor do que ser amado
simplesmente por aquilo que somos.
Se as pessoas tivessem a mesma preocupação de
agradar a Deus como buscam agradar os outros, o mundo
seria infinitamente melhor.
Os olhos do Senhor são como chama de fogo (Ap
1.14), os quais perscrutam o mais íntimo do nosso ser.
Nada, absolutamente nada, pode escapar da visão de Deus,
nem o mais ínfimo de nossos pensamentos.
Jesus, no evento mais glorioso do mundo, virá e
"trará à plena luz coisas ocultas das trevas, mas
também manifestará os desígnios dos corações; e, então,
cada um receberá o seu louvor da parte de Deus" (1
Co 4.5). E Deus, muito mais do que ver nossos atos, verá
a intenção de cada um.
É sob esta ótica que Paulo ultrapassa a
compreensão humana quando declara: "E ainda que eu
distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que
entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não
tiver amor, nada disso me aproveitará" (1 Co 13.3).
Não é o que fazemos, mas a motivação em fazê-lo que
importa para Deus, pois o Todo-Poderoso não quer saber o
tamanho do nosso sacrifício ou de nossa obra, mas a
intensidade do nosso amor.
Muitos são pegos no contrapé da caridade, pois,
mais do que lavar nossa consciência, ou seja, um ato de
compensação, o ajudar deve visar em primeira instância o
outro. Nossa própria satisfação deve ser um segundo ato,
o qual surge como conseqüência da motivação correta:
ajudar por ajudar, ajudar por amor.
"De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme
a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é dever
de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as
obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas,
quer sejam más" (Ec 12.13 -14). Assim, quando quiser
agradar a homens, pense primeiro em agradar a Deus.
Rev. Hélder Rodrigues |