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BOLETIM SEMANAL Nº 09 - BRASÍLIA-DF, 02 DE MARÇO DE 2008
PASTORAL
A Cobiça do Poder
Ricardo Gondim
Existe
uma categoria existencial que afeta todos, Deus, anjos e
humanos: o poder. Poder é quase que uma entidade
autônoma do Universo – não se preocupe, ainda não
sucumbi ao dualismo.
Aqueles
que experimentaram poder, sabem de sua capacidade de
agarrar-se a nós como os vermes que roem os corpos dos
pássaros e que não os largam nem depois de mortos.
O poder
controla os atos de qualquer um, sem deixar que se
perceba como seus fios fazem as pessoas dançarem
como marionetes, no palco do absurdo. A conquista do
poder embriaga o vassalo e o rei, a cortesã e o cardeal,
o general e o catador de lixo. Como regulador das
relações humanas, poder encanta como uma serpente
faminta.
O poder
promete dar opção, controle sobre as decisões. Ele diz
que os fortes fazem sua vontade prevalecer. Os poderosos
acreditam viver sem temores; eles acham que não
caminharão pela vida como o cervo que passeia pela
relva, sempre amedrontado com o vento que traz o cheiro
do tigre que o espreita.
Com o
poder vem a promessa de autonomia. O mais capaz não
teria carências, mas desdenharia dos que vivem das
migalhas que sobram de sua mesa. Ele sente que domina e
não conhece timidez; ninguém tem direitos sobre sua
vida, já que não deixa que lhe coloquem cabrestos.
Em todo
o Universo apenas UM tem todo poder: DEUS. Os anjos e
suas hostes, os humanos e seus descendentes imaginam
como seria fantástico se um dia pudessem se tornar
deuses, onipotentes.
Essa é
marcha dos vivos. Todos querem, de qualquer maneira,
conquistar, ganhar, herdar a capacidade de serem iguais
a Deus. Invejamos a sorte d'Ele, que não tem a quem
prestar contas. Convencemo-nos de que seríamos felizes
se pudéssemos agir, e controlar todas as variáveis.
Vamos à igreja, acumulamos riquezas, narcotizamos nossa
mente, organizamos instituições, atropelamos outras
pessoas querendo pelo menos sentir que dominamos algo ou
alguém.
A
religião promete a possibilidade de se retirar os
percalços da vida, dominar as doenças e nunca enfrentar
tribulações. Cultuamos a Deus, porque no fundo, no
fundo, invejamos sua sorte de viver sem acidentes.
Queremos ficar perto dEle para, quem sabe, podermos nos
tornar mestres do grande xadrez existencial, conhecendo
todas as possíveis jogadas sem jamais sermos
surpreendidos por algum lance inédito.
Acontece que o Deus bíblico, revelado em Jesus de
Nazaré, tendo todo o poder, jamais foi sequer tentado
por ele. O mais interessante é que anjos cobiçaram poder
e se tornaram em demônios; homens correram atrás do
poder e se tornaram pecadores; e Deus revelou
através de Jesus que nunca
desejou relacionar-se ou governar seu Universo
valendo-se dessa categoria.
A
mensagem é nítida: se cobiçamos ser iguais a Deus,
devemos abrir mão do poder, como fez Jesus Cristo. Se
queremos relacionamentos verdadeiros, temos que
escolher a senda do Calvário; levar as cargas do
próximo, perdoar e amar incondicionalmente.
“Soli Deo Gloria.” |