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BOLETIM SEMANAL Nº 06 - BRASÍLIA-DF,
10 DE FEVEREIRO DE 2008
PASTORAL
Inácio de Antioquia
Estou lendo o livro “Os Mártires do Coliseu” de
A. J. O’Reilly, preparando-me para a viagem para Israel
que faremos em setembro. Como passaremos em Roma e
veremos lugares ligados à história do Cristianismo, e o
Coliseu é um destes, apressei-me a estudar a respeito
dos acontecimentos ali vivenciados por cristãos que
deram suas vidas por amor a Jesus.
Na leitura deparei-me com uma figura marcante: a de
Inácio de Antioquia, bispo desta cidade, Antioquia, por
mais de 50 anos. Ele havia sido discípulo direto dos
apóstolos Pedro e João. Pouca coisa pode ser encontrada
com respeito aos acontecimentos da sua vida, mas seus
contemporâneos e sucessores citam o seu nome com muita
reverência. Porém os eventos que antecederam a sua morte
e a sua morte gloriosa receberam grande atenção da
Igreja Primitiva e foram registrados com detalhes por
testemunhas oculares e distribuídos por várias igrejas,
por ter sido modelo de coragem e fidelidade ao seu
Salvador, Jesus.
Ele é considerado um dos primeiros mártires mortos no
Coliseu, o que ocorreu em 20 de dezembro de 107 d.C.
Ele, um ancião centenário, havia sido trazido da Síria
para ser lançado aos leões e, assim, desestimular a
todos os que quisessem tornar–se cristãos.
Antes de chegar a Roma ele escreve uma carta em que fala
da sua intenção de glorificar o nome de Jesus até a
morte: “Deixai-me ser o alimento das feras; deixai-me
ir, desse modo, à possessão de DEUS. Sou o trigo de
Jesus Cristo; portanto devo ser quebrado e moído pelos
dentes dos animais selvagens, para que me torne Seu pão
imaculado e puro. Afago aqueles animais que logo serão
meu honrado sepulcro.”
A sua postura diante da morte e da humilhação pública é
um exemplo de fé e de compromisso difícil de
encontrar-se hoje em dia. Foi uma entrega que só os
grandes são capazes de fazer. Conta-se que antes que os
leões fossem soltos...“Inácio sorriu com alegria. Com
um ato de ações de graças no coração e uma súplica muda
por forças ele dirigiu-se à assembléia nestes termos:
Romanos que testemunhais a
minha morte, não penseis que sou condenado por algum
crime ou má ação. É-me permitido que eu vá a Deus, o que
anelo com insaciável desejo; sou trigo de Deus, e devo
ser moído pelos dentes das feras, a fim de tornar-me
para Ele um pão branco e puro.
Caiu então de joelhos, cruzou os braços sobre o peito e,
com os olhos erguidos ao céu, esperou calma e
resignadamente pelo momento que deveria libertá-lo dos
problemas desta vida, e lançar-lhe a alma em seu
vôo para a
eternidade. Mais um momento, e os pequenos portões das
passagens subterrâneas se abrem, e dois leões saltam
para a arena.
Um silêncio palpável reina no anfiteatro. As feras
avançam... Basta. Deixemos que a imaginação complete os
detalhes angustiantes. 0 mártir foi-se ao encontro de
sua coroa. Podemos apenas transcrever as breves e
tocantes palavras de seus Atos. ‘Sua oração foi ouvida:
os leões nada deixaram, a não ser os ossos mais sólidos
de seu corpo’ ".
Rev. Luciano Roberto
Extraído:
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