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Avisos |
BOLETIM SEMANAL Nº 84 - BRASÍLIA-DF,
19 DE AGOSTO DE 2007
PASTORAL
BENS E
BENÇÃOS
Procurou-me, recentemente, um jovem irmão inconformado
com sua sorte. Crente novo, esforçado e ávido por
crescimento espiritual, não conseguia entender a razão
por que Deus não o abençoava muito com bens materiais.
Servidor público, esposa por conta dos filhos pequenos,
trabalhando de dia e estudando de noite, ele levava uma
vida dura, mas não era exatamente um necessitado. No
entanto, achava que, comparativamente a outros irmãos
“na mesma faixa”, estava sendo deixado para trás por
Deus.
Perguntei-lhe por que pensava assim. Ele apontou alguns
amigos comuns. Um lhe dissera que estava comprando um
carro novo, enquanto o seu já estava bem batido; outro
dera entrada no apartamento da família, e ele ainda
morava de aluguel; outro, ainda, estava chegando de
viagem ao exterior, com toda a família, coisa que ele
nem podia considerar, por enquanto. Disse que podia
citar muitos outros exemplos.
Fiquei pensando na frustração do irmão. No momento,
disse-lhe que não devia se comparar com seus irmãos,
pois as circunstâncias de vida eram diferentes. Que
confiasse na justiça e no amor do Pai. Mas ele me
respondeu: “O que custa a Deus me dar também um
pouquinho de seu ouro e de sua prata?” Não pude deixar
de notar uma pontinha de inveja e inconformismo.
Fiquei com a perplexidade do irmão no coração. Então,
passei a observar mais de perto os exemplos que ele
apresentara, pedindo a Deus que me ajudasse a discernir
o cenário.
Desde então, tenho aprendido que é tarefa elevada
demais, tanto para o irmão quanto para mim, buscar uma
resposta para essas diferenças. Se Deus dá cinco
talentos a um, dois a outro, e um ao terceiro, “segundo
a sua própria capacidade” (Mt 25.15), que posso dizer?
Isso apaziguou meu coração. Deus sabe!
No entanto, não foi de todo infrutífera a observação
sistemática dos “exemplos de sucesso”. Descobri que
aquele que comprara o carro luxuoso tivera ajuda do
sogro, que queria ajudar a filha e não necessariamente o
genro. O que financiara um apartamento contraíra uma
dívida de 25 anos, no limite de sua capacidade máxima de
endividamento, e dera de entrada o carro que a esposa
trouxera para o casamento, passando a família a andar de
ônibus e metrô. O que viajara à Disney levara crianças
pequenas demais para apreciar a viagem e ainda se
endividara por doze meses, período este em que “não
poderia nem pensar em ofertas à igreja”.
Esta última observação me pareceu gratuita, a
princípio, mas levou-me de volta ao irmão frustrado para
perguntar-lhe como entendia a questão de dízimos e
ofertas. Ele me disse que isso era “acordo fechado” na
vida do casal: “Primeiro o Senhor; depois as despesas”.
Surpreso e curioso, voltei aos nossos “abençoados” e
descobri que só ofertavam “quando a situação permitia”,
ou seja, raramente. Que contraste!
Mesmo sem respostas finais, já tenho uma pergunta a
fazer ao irmãozinho: Será realmente abençoada uma alma
incapaz de ofertar ao Senhor? Será que esses bens são,
de fato, bênçãos? “Melhor é o pouco, havendo o temor do
Senhor, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv
15.16).
Rubem Amorese
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