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Avisos |
BOLETIM SEMANAL Nº 92 - BRASÍLIA-DF,
14 DE OUTUBRO DE 2007
PASTORAL
Davi, o guerreiro menino
A personalidade do rei Davi é
intrigante. Nela encontramos,
emparelhados, o guerreiro e
o menino. Em outras palavras, o forte e o frágil ou, se
quiserem, o vulnerável.
É impressionante perceber
o vigor e a coragem latentes no espírito do guerreiro
Davi, que o fizeram vencer, conquistar, anexar e reinar
(1º Sam 17:31-34; 18:7); por outro lado, e ao mesmo
tempo, é fascinante encontrar nele um menino: frágil,
dependente, sensível, desarmado, rendido e derrotado
diante de Deus (2º Sam. 22:1-51). O Davi menino se
permitia ter medo, chorar, pedir ajuda, reconhecer suas
fraquezas, se desnudar da capa e revelar sua alma (2º
Sam 7:18-29).
A capacidade de endurecer sem
nunca perder a ternura é uma habilidade emocional e
espiritual possuída
por poucos. Somente o guerreiro menino saberá
evidenciá-la. Talvez a metáfora citada por Jesus, e
magistralmente vivida por Ele, a respeito de sermos a
junção de serpente e pomba, sintetiza o que significa
ser guerreiro e menino.
São estas duas marcas,
que aparentemente não se combinam, que revelam o grande
segredo deste homem e da sua trajetória de vida.
Por que é importante
juntar o guerreiro e o menino dentro de nós? Por uma
razão muito simples: é suicídio querer fazer opção por
uma das alternativas.
Pessoas que optam
por passar a imagem do guerreiro imbatível, impecável,
indestrutível e vencedor, divorciado do menino, jamais
descobrirão quem são de verdade. Elas erram
porque querem ser tão somente guerreiros que descobrirão
suas fraquezas e suas derrotas da forma mais dolorosa.
Pois, equivocadamente, sentem-se fortes e inatingíveis.
Quando, porém, se descobrem em fraquezas desmoronam-se
emocionalmente e espiritualmente. Quando estes
guerreiros são vencidos pelos seus erros e desbancados
pela força da dura condição humana pecaminosa, não se
perdoam e nem acreditam na graça restauradora de Deus.
No entanto, há outro problema. O guerreiro “imbatível”
se deparará com a reprovação e a censura dos que
acreditavam ser ele invencível. As pessoas são
normalmente impiedosas e serão mais ainda com o
“guerreiro”.
Outras pessoas escolhem ser apenas
meninos imaturos e não crianças que correm para os
braços de Jesus para dEle receber afagos e estabelecer
comunhão (Lc 9:47). Portanto, ser
criança ou menino pode ser uma experiência abençoadora
se o processo desencadear e produzir um adulto guerreiro
que tem a capacidade de continuar menino. Este vai à
luta, não se entrega, não retrocede.
Em suma, Davi sabia que
Deus o fazia guerreiro e a sua fragilidade o fazia
menino no colo do Pai!
Na verdade, o poeta
popular estava com a razão quando disse: “Guerreiros são
pessoas, são fortes, são frágeis, guerreiros são meninos
no fundo do peito. Precisam de um descanso, precisam de
um remanso, precisam de um sonho que os tornem
refeitos.”
Rev. Luciano Roberto |