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Avisos |
BOLETIM SEMANAL Nº 74 - BRASÍLIA-DF,
10 DE JUNHO DE 2007
PASTORAL
VIVER PELA GRAÇA: O
ANTÍDOTO AO LEGALISMO
O cristão pode
escolher entre dois estilos de vida: o da graça
ou o do legalismo. São dois caminhos distintos,
sendo que um exclui o outro. O caminho da graça é
proposta de Deus e o caminho do legalismo é proposta
humana. A graça restaura, o legalismo escraviza.
O problema
da prática legalista está na busca da conquista do amor
e do favor de Deus por meio da observação restrita dos
Seus mandamentos, com a motivação errada. Sua motivação
deveria ser obedecer a Deus como expressão de amor e não
a de “barganhar” com Ele...
O relacionamento
espiritual sobrevive e se sustenta pela graça divina. Ao
viver um cristianismo que reduz o relacionamento
espiritual a um “contrato”, a uma relação formal de
obrigações, o legalista vive em agonia, com medo de ser
rejeitado por Deus, em virtude dos seus erros e
desacertos. Ele depende psicologicamente dos seus
acertos para se justificar diante de Deus e, muito mais,
diante dos homens. Por não ter coragem de encarar sua
miséria e total dependência da graça e da misericórdia
de Deus, o legalista desenvolve mecanismos externos que
justifiquem sua “santidade”, que nada mais é do que a
expressão superficial de uma vida medíocre, que depende
de um invólucro vistoso para aparentar ser “digno”. As
questões interiores, da alma, passam a ser secundárias e
irrelevantes.
Ao ler, em
Lucas 18:9-14, a parábola de Jesus sobre o fariseu e o
publicano, descobrimos a antítese entre a graça e o
legalismo vivenciada pelos dois personagens. O legalista
da história, o fariseu, é incapaz de perceber ou de
reconhecer sua miséria, sua real necessidade de Deus.
Pelo contrário, ele realça seus feitos para requerer o
favor de Deus. Ao relacionar suas “santas” ações, tais
como dar o dízimo, jejuar, orar três vezes ao dia e
outras mais (vs 11 e 12), o fariseu busca justificar-se
confiando nos seus atos, na sua justiça própria. Em
outras palavras, ele acha que não precisa do perdão e da
graça, ele se sente auto-suficiente. O pior é que, nas
questões internas, a morte se aloja no seu coração: ele
torna-se um “sepulcro caiado de branco”.
Ao se comparar ao
pobre publicano, considerando-se espiritualmente
superior, o fariseu pisa-o e massacra-o. Pessoa assim
jamais será um “irmão”, um igual. Ele considera-se
“juiz” com o poder de condenar o outro e nunca de
absolver o penitente. Ele age assim porque é incapaz de
amar o pecador, de se compadecer dele, de ter
misericórdia. Ao invés de dizer, cheio de soberba, “não
sou como este publicano” ele deveria reconhecer, como
Paulo, que ele é o que é pela “graça divina” (1ª Cor
15:10).
Mas, o foco da
parábola não está sobre o pretensioso fariseu e sim
sobre o humilde publicano. Ele não tem nenhuma lista de
virtudes e nem de ações nobres. Pelo contrário, ele tem
uma profunda convicção da sua condição de pecador e da
possibilidade do perdão divino e da restauração mediante
a graça de Deus. A maravilha desta graça está no fato de
que Ele sabe que somos pó, imperfeitos e “maltrapilhos”,
sem poder dar um passo sem Seu amparo espiritual e que,
apesar de tudo isto, Ele nos ama.
Uma única frase sai da
boca do publicano: “Ó Deus, sê propício a mim,
pecador...” (v 13). No final, a parábola mostra que a
graça sempre vence a justiça própria e que, quem vive
pela graça, cônscio das suas imperfeições, sempre “desce
para casa” justificado por Aquele que diz: “A minha
graça te basta!” (2ª Cor 12:9).
Rev. Luciano Roberto |