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Avisos |
BOLETIM SEMANAL Nº 95 - BRASÍLIA-DF,
04 DE NOVEMBRO DE 2007
PASTORAL
Tropa de Elite
(Um filme que revela o caos)
Fui assistir ao filme brasileiro mais esperado do
ano, “Tropa de Elite”. Com tanto alarido em torno dele,
criei uma grande expectativa que, ao final, se
justificou. É um filme de qualidade. A fotografia, a
edição e outros detalhes... parecia até coisa de
Hollywood, muito diferente do que tínhamos em terras
brasis poucos anos atrás.
O filme entremeia ficção
com realidade. É quase um documentário sobre a vida
real, nua e crua, do Rio de Janeiro e também de outros
centros metropolitanos brasileiros. Não há como negar
que muita coisa no filme muitos de nós já ouvimos dizer.
Alguns reclamam da
brutalidade impiedosa do filme. Eu, porém, entendo que
não haveria outra forma de denunciar uma nódoa tão
incrustada em setores da polícia e da política
brasileira, senão com a linguagem da verdade, sem
maquiagem. Se alguns se acham agredidos ao ver sangue
jorrando na tela é porque nunca viram o silêncio
torturante de uma criança em desnutrição que morre aos
poucos em razão da corrupção perversa praticada pelos
detentores do poder, que impedem que recursos cheguem
aos menos favorecidos.
O filme denuncia todos
“vícios” do “sistema”, coisas que já sabíamos da
existência, mas que achamos “normal”. Como cidadãos, nós
devemos exigir mudanças sem, no entanto, estigmatizar
todos os PMs, como se o filme revelasse neles a
verdadeira face da corrupção brasileira. Há muitos
policiais vocacionados dentro dos batalhões e há,
também, uma boa parte viciada em dinheiro fácil. No
entanto, como cristãos, temos que orar pelos homens e
mulheres investidos do poder público, sem nos deixar
dominar pelo jeitinho brasileiro, que nada mais é que
uma vergonha nacional. Uma certeza se agigantou em mim:
“Como o Brasil precisa de nossas orações e ação
(contrário de omissão) verdadeiramente social e
cívica!”.
Preciso externar duas
outras observações: a primeira, concerne aos protestos
públicos pedindo paz e justiça. O filme é pontual e
certeiro na crítica. A quem estamos pedindo paz? Aos
bandidos? Eles nunca vão escutar! Passeatas e outras
manifestações, como faz o movimento “Rio de Paz”, surtem
poucos ou nenhum efeito. Por que são apenas
emblemáticas! Os políticos participam destas
manifestações e, no dia seguinte, o que acontece? Nada!
Protesto com proposição, na porta de governos, nas
câmaras legislativas, pressão sobre representantes,
modernização da polícia e aparelhamento da corporação,
entre outras coisas, descortinarão um novo tempo para
nosso país. A segunda observação concerne ao BOPE. O
filme dá a este batalhão uma imaculada missão de ser o
bastião de resistência à corrupção: seus membros, sim,
promovem paz e limitam
o caos. Pelo
menos é isto o que o filme mostra, graças ao seu método
que, diga-se de passagem, coloca este batalhão no mesmo
nível do policial corrupto. No fim, ambos estão fora da
lei. Quem deu ao BOPE o direito de julgar e aplicar
justiça, como se fosse um poder paralelo? Não! O que
precisamos é de lei e, principalmente, um estado de
direito pleno que aplique leis justas a todos.
Vale à pena assistir
“Tropa de Elite”. É muito bom e revelador!
Rev. Luciano Roberto |