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BOLETIM SEMANAL Nº 86 - BRASÍLIA-DF,
02 DE SETEMBRO DE 2007
PASTORAL
ANDAR COM FÉ, EU VOU...
(Mt 6:25,34)
Todos nós estamos presos a uma dimensão
temporal que é dividida em passado, presente e futuro.
Assim vivenciamos algumas percepções quanto ao “eu”: o
que eu fui no passado, o que eu sou no presente e o que
eu serei no futuro. Talvez a última seja a que mais
atormente nossos corações.
A ansiedade, um dos mais terríveis
sentimentos a assolar a alma humana, ocorre quando o
medo do futuro cresce a tal ponto que anula a
possibilidade de viver o presente com boa qualidade
emocional. Sendo assim, tudo quanto ainda não aconteceu
ocupa a nossa atenção e drena a nossa energia. O nosso
interior é totalmente habitado por ocupações prévias,
pré-ocupações, que provocam tensões emocionais capazes
de roubar a paz, os sonhos e a serenidade. A ansiedade
faz adormecer o hoje, anestesia o agora e mata o
presente.
A ansiedade provoca em nossa vida uma
reação emocional em cadeia muito perigosa que se inicia
com a necessidade de controlar. O controle gera um
forte acúmulo de atividades. O ativismo gera uma
tendência à manipulação que, por sua vez, leva a pessoa
a tentar dar um jeito para que tudo saia como ela quer.
Os últimos elos desta corrente serão a frustração, o
cansaço e o vazio! Resultado final: a ansiedade gera
mais ansiedade!
Mas esta não é a proposta de Deus para as
nossas vidas! Jesus nos convida a viver a vida longe da
ansiedade (Não andem ansiosos...); sugere que
vivamos unicamente o dia de hoje, pois é ilusão
tentar antecipar o amanhã, posto que o único tempo
possível de ser vivido é o hoje; o “amanhã”, quando
chegar, se transforma em “hoje” (Não fiquem inquietos...);
Ele ainda insiste que enfrentemos os problemas e
preocupações de hoje, pois o amanhã trará os seus. Porém
não podemos concluir disto que Jesus desencoraja o
planejamento, a organização na vida. Ele não quer que os
contratempos da vida se transformem na
contrafé que leva ao desespero paralisante.
Seguir esta proposta de Jesus é
substituir aquela deletéria reação emocional em cadeia
por uma benéfica reação espiritual: a serenidade, o
reverso da ansiedade, nos leva ao equilíbrio de fazer e
se ocupar somente do que é possível. Este equilíbrio nos
conduzirá a aceitar as circunstâncias e as pessoas, o
que nos levará à deliciosa descoberta de que nem tudo
precisa ser do nosso jeito. Que existem jeitos tão bons
ou mesmo melhores que os nossos. Os últimos elos desta
corrente espiritual serão a paz, o descanso e a presença
viva de Jesus em nosso coração! Resultado final: a
serenidade gera mais fé em nosso Pai celestial.
Rev. Luciano Roberto.
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